Vamos aqui que a deusa tem dois aspectos que representa a proteção: a forma antiga de leoa mostra uma proteção mais feroz, selvagem. Há rituais de proteção contra maldições de invocação a Sekhmet. A segunda forma é mais sutil, mesmo intensa, pode ser usada para a proteção de ambientes, não esquecendo que a deusa gato também pode representar a fertilidade e o prazer.
quinta-feira, 28 de novembro de 2019
Pequeno mito de Bastet, a deusa gato
Vamos aqui que a deusa tem dois aspectos que representa a proteção: a forma antiga de leoa mostra uma proteção mais feroz, selvagem. Há rituais de proteção contra maldições de invocação a Sekhmet. A segunda forma é mais sutil, mesmo intensa, pode ser usada para a proteção de ambientes, não esquecendo que a deusa gato também pode representar a fertilidade e o prazer.
Mãe Terra, a ti pertencem flores
Alimentos, ervas que curam
Habitante beleza das cores
Boas energias que todos procuram
Grande Mãe, criadora do ar
Da natureza, o perfume exalamos
O amor que o vento coloca para dançar
A brisa é sua suave voz que precisamos
Do mar também é a rainha
Água que compõe o homem e o mundo
Protetora da vida marinha
Gotas de chuva que purifica a alma, sossego profundo
Do fogo também é suprema portadora
Afrodite que aquece corações
Paixão quente encantadora
Sua voz compondo belas canções
Meu espírito ama a natureza
Ligada aos deuses tão amorosos
Minha alma anseia a beleza
Deusa Mãe e Deus cornífero, comigo tão cuidadosos
O espiritual foi banalizado
Como a tecnologia facilita a comunicação e a informação de forma instantânea, existem grupos nas redes sociais, especificamente no Facebook que tratam de diversos temas e entre eles bruxaria, feitiços de todas as vertentes religiosas como Umbanda, Candomblé, Quimbanda, Wicca, bruxaria tradicional, etc. Vamos incluir também as páginas cristãs de padres famosos, de outros líderes e das doutrinas defendidas por diversos ramos do cristianismo.
Vou me limitar onde estou presente atualmente: grupos de feitiços e magia de todos os seguimentos citados acima. É impressionante a quantidade de pessoas que aparecem querendo resolver tudo com magia, até mesmo resolver problemas simples do cotidiano que qualquer um se vira para para se garantir. Não posso deixar de citar outra coisa: situações amorosas. É ridículo o desespero por amarrações, feitiços de vingança e choradeira que repentinamente aparece em seu mural de postagens alheias que é a primeira parte que aparece quando você abre o aplicativo. "Chororô" de gente querendo prosperidade, mas que não se dá o trabalho de correr atrás das suas coisas.
Há um narcisismo, um descontrole tão grande que aquilo que é sagrado, o respeito, a busca pelo conhecimento espiritual e de si mesmo não ocorre. O narcisista é aquela é aquele indivíduo que nunca sai de si mesmo, portanto não vivencia o que é próprio da espiritualidade, a alteridade do mundo, olhar para os deuses sem que ele queira que se pareça consigo mesmo. Pular de galho em galho é colocar a religião como um comércio onde os sacerdotes são os vendedores e os adeptos, compradores, clientes e tudo se limita a essa "troca" de desejos, expectativas que o mundo seja mero te sirva. Nada mais passa a ser construído a não ser relações tóxicas, superficiais, brigas por hierarquia como acontece na igreja católica, julgamentos, tribunais, achismos e falsa moralidade. O mais importante para a religião, que vem do latim religare, religar o homem a deus, é deixada de lado para tais vivências. É daí que vem a banalização. Cabe à todos a reflexão e a tentativa de retorno para experiências mais sinceras com o sagrado em si.
sábado, 23 de novembro de 2019
Como me tornei bruxa
Eu sempre questionei as formas de espiritualidade e sua existência, mas esse questionamento sempre foi muito interno e isso desde muito cedo.
Meus avós eram adventistas e sempre me levavam à igreja aos sábados. Depois quando minha mãe se casou com o pai dos meus irmãos, tive contato com o catolicismo, pois a família dele era toda católica praticante e participativa em comunidades. Me batizei aos 11 anos, mas acredito que essa minha decisão foi mais para ser aprovada no meio familiar que havia sido adotada já que no fundo sempre me sentia deslocada por não ter tido convivência com meu pai biológico. Depois retornei para a igreja dos meus avós, contrariando muitas pessoas e estudei por um tempo a religião. Sinceramente, gostei de ter aprendido a ler a bíblia, suas histórias assim como aprendi a ler Odisseia, Ilíada, outras obras de Homero e Hesíodo também. Conheci o islamismo onde estudei por 1 ano na mesquita do Pari no Brás em SP e me reunia em Mogi das Cruzes com os brasileiros já revertidos (não chamam de conversão e sim se dizem revertidos, porque reversão é quando a pessoa regressa para aquilo que nasceu ou foi feita. Podemos tratar dessa questão em outro blog explicando sobre outras religiões ou aqui mesmo). Depois retornei para a igreja católica onde fiz de uma vez a comunhão e o crisma. Fiquei por anos e foi aí que iniciei meus estudos na faculdade católica de filosofia e isso vai para outro blog também, pois ela foi importante para meu processo de questionamentos e que vou explicar lá.
Sentia a espiritualidade muito superficial ali dentro. Descobri que as pessoas atribuíam santidade à outras que não mereciam nem a idolatria que recebiam. Muitos se utilizavam de pequenos cargos para o próprio ego e a preocupação parecia bastar em administrações, pastorais, organizações e não se vivia direito a espiritualidade em si, isso acontecia em poucos casos. Sinceramente? Fui enjoando, ficando cada vez mais entediada e por um lado, desde os 15 anos adorava estudar sobre o Egito antigo e acender incensos no meu quarto. Imagens como deuses, praticas de meditações, pedras e cristais me chamavam muito a atenção. Não queria minha vida direcionada à ganhar paraíso para depois da morte. Não queria viver para a morte e sim aproveitar o que tinha. A vida pautada em negação, de pecado, exaltação do sofrimento, piedade e autopiedade já me deixava indisposta, presa e percebi que era de espírito livre, como diz Nietzsche. Aliás, o estudo nesse filósofo acabou com qualquer possibilidade de igreja católica na minha vida. Um padre mesmo me disse que a igreja não era meu lugar e que eu era uma bruxa na verdade.
Em 2015 fui na convenção das Bruxas em Paranapiacaba, onde comprei meu primeiro tarô egípcio de 72 lâminas que era a coisa mais linda que eu havia comprado naquelas feiras. Depois que me formei, me preocupei em estudar a Wicca e me iniciei na comemoração da primavera. Era uma época complicada, estava sofrendo com o Transtorno de ansiedade, desemprego e solidão. Além do tratamento médico, os pequenos feitiços com cristais, ervas, elementais foi minha forma de cura e de me acalmar antes que as coisas se precipitassem e fossem para o fundo do poço de vez. Adquiri ainda mais conhecimento que me acrescenta até hoje.
Hoje sigo a Roda do Ano, porém outra vertente que exige muita dedicação e que me ajudou e ajuda até hoje. Me sinto no lugar certo, parece que algo se encaixou e que agora sou eu mesma, foi um regresso ao que sempre fui em outras vidas e que talvez venha a ser na próxima. Como se eu encontrasse e preservasse minha própria essência. Encaro todas as formas de espiritualidade como válidas (desde que sejam vividas de modo sincero e não como muleta de apoio ao julgamento alheio e ressentimentos), mas passei a criticar sim o modo político de algumas igrejas até porque por um lado sou bruxa, mas por outro sou formada em filosofia e não tolero discursos morais sem embasamento e baseados no ódio à vida.
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