Eu sempre questionei as formas de espiritualidade e sua existência, mas esse questionamento sempre foi muito interno e isso desde muito cedo.
Meus avós eram adventistas e sempre me levavam à igreja aos sábados. Depois quando minha mãe se casou com o pai dos meus irmãos, tive contato com o catolicismo, pois a família dele era toda católica praticante e participativa em comunidades. Me batizei aos 11 anos, mas acredito que essa minha decisão foi mais para ser aprovada no meio familiar que havia sido adotada já que no fundo sempre me sentia deslocada por não ter tido convivência com meu pai biológico. Depois retornei para a igreja dos meus avós, contrariando muitas pessoas e estudei por um tempo a religião. Sinceramente, gostei de ter aprendido a ler a bíblia, suas histórias assim como aprendi a ler Odisseia, Ilíada, outras obras de Homero e Hesíodo também. Conheci o islamismo onde estudei por 1 ano na mesquita do Pari no Brás em SP e me reunia em Mogi das Cruzes com os brasileiros já revertidos (não chamam de conversão e sim se dizem revertidos, porque reversão é quando a pessoa regressa para aquilo que nasceu ou foi feita. Podemos tratar dessa questão em outro blog explicando sobre outras religiões ou aqui mesmo). Depois retornei para a igreja católica onde fiz de uma vez a comunhão e o crisma. Fiquei por anos e foi aí que iniciei meus estudos na faculdade católica de filosofia e isso vai para outro blog também, pois ela foi importante para meu processo de questionamentos e que vou explicar lá.
Sentia a espiritualidade muito superficial ali dentro. Descobri que as pessoas atribuíam santidade à outras que não mereciam nem a idolatria que recebiam. Muitos se utilizavam de pequenos cargos para o próprio ego e a preocupação parecia bastar em administrações, pastorais, organizações e não se vivia direito a espiritualidade em si, isso acontecia em poucos casos. Sinceramente? Fui enjoando, ficando cada vez mais entediada e por um lado, desde os 15 anos adorava estudar sobre o Egito antigo e acender incensos no meu quarto. Imagens como deuses, praticas de meditações, pedras e cristais me chamavam muito a atenção. Não queria minha vida direcionada à ganhar paraíso para depois da morte. Não queria viver para a morte e sim aproveitar o que tinha. A vida pautada em negação, de pecado, exaltação do sofrimento, piedade e autopiedade já me deixava indisposta, presa e percebi que era de espírito livre, como diz Nietzsche. Aliás, o estudo nesse filósofo acabou com qualquer possibilidade de igreja católica na minha vida. Um padre mesmo me disse que a igreja não era meu lugar e que eu era uma bruxa na verdade.
Em 2015 fui na convenção das Bruxas em Paranapiacaba, onde comprei meu primeiro tarô egípcio de 72 lâminas que era a coisa mais linda que eu havia comprado naquelas feiras. Depois que me formei, me preocupei em estudar a Wicca e me iniciei na comemoração da primavera. Era uma época complicada, estava sofrendo com o Transtorno de ansiedade, desemprego e solidão. Além do tratamento médico, os pequenos feitiços com cristais, ervas, elementais foi minha forma de cura e de me acalmar antes que as coisas se precipitassem e fossem para o fundo do poço de vez. Adquiri ainda mais conhecimento que me acrescenta até hoje.
Hoje sigo a Roda do Ano, porém outra vertente que exige muita dedicação e que me ajudou e ajuda até hoje. Me sinto no lugar certo, parece que algo se encaixou e que agora sou eu mesma, foi um regresso ao que sempre fui em outras vidas e que talvez venha a ser na próxima. Como se eu encontrasse e preservasse minha própria essência. Encaro todas as formas de espiritualidade como válidas (desde que sejam vividas de modo sincero e não como muleta de apoio ao julgamento alheio e ressentimentos), mas passei a criticar sim o modo político de algumas igrejas até porque por um lado sou bruxa, mas por outro sou formada em filosofia e não tolero discursos morais sem embasamento e baseados no ódio à vida.

Nenhum comentário:
Postar um comentário