quinta-feira, 28 de novembro de 2019

O espiritual foi banalizado


  Como a tecnologia facilita a comunicação e a informação de forma instantânea, existem grupos nas redes sociais, especificamente no Facebook que tratam de diversos temas e entre eles bruxaria, feitiços de todas as vertentes religiosas como Umbanda, Candomblé, Quimbanda, Wicca, bruxaria tradicional, etc. Vamos incluir também as páginas cristãs de padres famosos, de outros líderes e das doutrinas defendidas por diversos ramos do cristianismo. 
 Vou me limitar onde estou presente atualmente: grupos de feitiços e magia de todos os seguimentos citados acima. É impressionante a quantidade de pessoas que aparecem querendo resolver tudo com magia, até mesmo resolver problemas simples do cotidiano que qualquer um se vira para para se garantir. Não posso deixar de citar outra coisa: situações amorosas. É ridículo o desespero por amarrações, feitiços de vingança e choradeira que repentinamente aparece em seu mural de postagens alheias que é a primeira parte que aparece quando você abre o aplicativo. "Chororô" de gente querendo prosperidade, mas que não se dá o trabalho de correr atrás das suas coisas. 
 Há um narcisismo, um descontrole tão grande que aquilo que é sagrado, o respeito, a busca pelo conhecimento espiritual e de si mesmo não ocorre. O narcisista é aquela é aquele indivíduo que nunca sai de si mesmo, portanto não vivencia o que é próprio da espiritualidade, a alteridade do mundo, olhar para os deuses sem que ele queira que se pareça consigo mesmo. Pular de galho em galho é colocar a religião como um comércio onde os sacerdotes são os vendedores e os adeptos, compradores, clientes e tudo se limita a essa "troca" de desejos, expectativas que o mundo seja mero te sirva. Nada mais passa a ser construído a não ser relações tóxicas, superficiais, brigas por hierarquia como acontece na igreja católica, julgamentos, tribunais, achismos e falsa moralidade. O mais importante para a religião, que vem do latim religare, religar o homem a deus, é deixada de lado para tais vivências. É daí que vem a banalização. Cabe à todos a reflexão e  a tentativa de retorno para experiências mais sinceras com o sagrado em si. 

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